segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

NA EMPRESA--ABAIXO A SURPRESA

NA EMPRESA- ABAIXO A SURPRESA!


Um grupo de funcionários recém admitidos trabalhava no segundo turno e por isso tinha o jantar pago pela empresa, dentro de um valor máximo pré-estabelecido.  Na primeira prestação de contas, dentro de um mesmo período, todos os membros do grupo apresentaram recibos iguais para seus jantares, e no limite máximo estabelecido pela empresa, muito embora as refeições tivessem custado menos.  Como resultado, todos foram demitidos por fraude, o que para eles foi um grande surpresa pois achavam que não estavam fazendo nada demais, já que estavam cobrando dentro do limite estabelecido.  Na visão deles, uma injustiça.

O que faltou? Quem os instruiu não deixou bem claro que não se tratava de uma diária e sim de um limite de uma despesa que deveria ser comprovada de acordo com os gastos realmente realizados.  Se essa pessoa tivesse o cuidado de evitar surpresas, teria tomado mais cuidado na comunicação e evitado a demissão do grupo.

Quantas demissões ocorrem em uma empresa que são uma total surpresa para os que foram afetados?  Seria justo que isto ocorresse?  Na minha opinião, na maioria dos casos a surpresa pode ser evitada e a demissão, quando houver, processada de uma forma mais justa.  Quando o caso é por justa causa, não há surpresa por definição.  Se é por desempenho, deve haver uma comunicação efetiva, no tempo adequado e uma nova oportunidade, se for o caso, dada à pessoa envolvida.

Existem outros tipos de surpresas mais desagradáveis e muitas vezes inaceitáveis.  Imaginem o Diretor Financeiro que, nas vésperas de Natal, anuncia para a Presidência da empresa que existe um probleminha contábil que impedirá esta empresa de atingir os seus objetivos financeiros compromissados com os seus acionistas.  Detalhe, ele já sabia do problema há mais de três meses.  Que surpresa, hein?  O que fazer com este Diretor? 

E o Presidente que visita uma filial e faz um café da manhã com os seus principais clientes daquela região.  Claro que antes da reunião ele se reúne com o gerente da filial que lhe faz o famoso “briefing” para que não haja nenhuma surpresa durante o encontro.  O Presidente inicia o evento falando sobre a empresa, seus pontos fortes e a liderança de seus produtos.  Após a sua introdução, franqueia a palavra aos clientes para supostamente ouvir deles a confirmação de tudo que lhe haviam contado no “briefing”.  

Pois bem, o primeiro cliente a falar pediu licença para expressar uma preocupação de todos na mesa: Presidente, pare de vender os seus produtos nesta região.   O Presidente quase tem uma síncope e pergunta surpreso:  Mas, por que?  Porque não existe mão de obra suficiente na região para dar cobertura ao crescimento de venda do  seu produto e, por consequência, cada cliente novo que vocês conquistam só conseguirá suporte  tirando mão de obra dos clientes antigos.  Bela surpresa, não é?
E o Gerente da filial não sabia disto?  O assunto não deveria ter sido debatido durante o “briefing”?  Podem imaginar o que lhe aconteceu.

Moral da história:  Abaixo as surpresas.  Podem anotar. Toda vez que há uma surpresa, houve uma falha na organização.  Falha esta que pode ser decorrência de muitas razões:

-       Comunicação falha ou inadequada
-       Falta de um sistema de prevenção adequado
-       Falta de informação
-       Procedimentos inadequados
-       Medo de enfrentar a realidade escondendo de seus superiores
-       E muitas outras...
O importante é estar alerta para este mal que é a surpresa.  Ela pode ser fatal. Vamos nos prevenir. 

ABAIXO AS SURPRESAS!

PS.- É claro que existem as surpresas agradáveis mas, se possível longe, do ambiente empresarial.




por: Rudolf Höhn
ex-presidente da IBM Brasil
sócio-presidente i-Hunter Tecnologia da Informação
https://www.facebook.com/IHunterTecnologia
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