DELEGAÇÃO, IMPORTANTE PARA QUEM?
Quando um pai e uma
mãe decidem que o seu filho está pronto para atravessar a rua sozinho, o que na
realidade está se passando neste momento?
Nada mais, nada menos do que uma delegação de responsabilidade dos pais
para o seu filho. A partir daquele
momento, a responsabilidade de atravessar a rua em que reside com os pais passa
a ser única e exclusivamente do filho.
Qual o risco envolvido nesta decisão?
Enorme, pois se o filho não se sair bem, as consequências podem ser
dramáticas para ambos, pois, no pior caso, representaria a perda de um ente
muito querido. É claro que, para
minimizar este risco, os pais farão todo o possível para se certificar de que o
filho esteja em idade adequada e que tenha recebido as informações necessárias,
estando portanto preparado. Com tudo
isto, o risco continua existindo e é grande.
No entanto todos nós, pais, passamos por este processo.
Para quem é
importante este processo? Tanto para os pais, que não poderiam colocar-se, além
do tempo necessário, à disposição dos filhos para levá-los para cima e para
baixo, como para os filhos que nunca seriam independentes dos pais se não
recebessem esta delegação deles.
Pois bem, em uma
empresa o processo de delegação, em tese, é exatamente o mesmo. De um lado o gerente que tem como missão
obter o trabalho através das pessoas a ele subordinadas, e do outro estas
pessoas, ou seja, os colaboradores. Para
que o trabalho seja executado de uma forma produtiva e alinhada com os
resultados esperados, é fundamental que cada colaborador conheça as suas
responsabilidades e o que é esperado dele.
Assim como no caso do filho, é fundamental que além dele saber que a
responsabilidade de atravessar a rua é unicamente dele, e o que é esperado é
que chegue do outro lado ileso, o mais importante é a delegação, ou seja, ele
terá que fazê-lo sozinho. Da
mesma forma é no processo empresarial.
Não adianta o colaborador conhecer muito bem as suas responsabilidades,
ter as suas metas esclarecidas ou seja, saber o que é esperado dele, se não
houver a delegação, ou seja, ficar claro que ele deverá fazer isto sozinho. Quando maior for a supervisão necessária por
parte do gerente para que o colaborador realize o seu trabalho, tanto menor
estará sendo a delegação.
Na empresa, quais são
as ineficiências mais comuns neste processo de delegação:
· O supervisor não delega como deveria porque
não quer assumir o risco. Apesar de assumir com o filho, no caso de ser pai, como
no exemplo exposto.
Causas
o Medo de não cumprir o que deveria entregar ao
seu gerente. O resultado é que o
supervisor acaba fazendo o trabalho do subordinado, algumas vezes saindo mais tarde, enquanto
seus subordinados saem na hora.
o Colaboradores não preparados para assumir as
responsabilidades plenamente. Fazendo um
contraponto com o exemplo do filho atravessar a rua, seria o caso dos pais auxiliarem o filho a
atravessar a rua mesmo ele já tendo atingido a idade adequada para fazê-lo
sozinho. Não raro encontramos casos
deste tipo nas empresas. Supervisores
auxiliando seus colaboradores além do limite aceitável. Colaboradores que não desempenham de acordo
com o que é esperado, precisam ser administrados adequadamente – cada caso é um
caso.
· O superior delega, assume os riscos inerentes,
mas não controla adequadamente a sua operação.
· O colaborador não aceita ou não entende o
processo de delegação e as suas implicações.
Poderia me estender
mais em cada uma destas ineficiências, mas não é o propósito deste artigo.
Para concluir, se em
uma empresa, ou em um sector dela, os colaboradores entendem as suas
responsabilidades e as suas metas, ou seja, o que é esperado deles e, se ficar
claro que este esperado devera ser atingido por eles com uma mínima ou nenhuma
supervisão, e se o supervisor, por sua vez, exercer o seu papel de liderança,
planejando, controlando, motivando, comunicando, servindo de exemplo e
desempenhando o seu verdadeiro papel, teremos certamente uma operação produtiva
e eficiente.
Vantagem para o
supervisor que exerce o seu verdadeiro papel, e para o colaborador que tem a independência
necessária para exercer o seu cargo da melhor forma, promovendo a sua
iniciativa e o seu desenvolvimento.
por: Rudolf Höhn
ex-presidente da IBM Brasil
sócio-presidente i-Hunter Tecnologia da Informação
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