Uma empresa,
independente do seu tamanho, está, de uma forma ou de outra, envolvida em
satisfazer aos públicos mencionados na engrenagem acima.
Mecanicamente o
sistema de engrenagens funciona de tal forma que as engrenagens periféricas
giram na mesma velocidade, enquanto a engrenagem do centro gira numa velocidade
maior para compensar o seu menor tamanho.
Transportando este modelo para a empresa, equivaleria a ela dar uma
atenção equilibrada aos quatro públicos objeto das engrenagens periféricas e consequentemente
dar atenção redobrada à sua gestão para que isto seja possível. Aqueles que conhecem as engrenagens de uma
empresa entendem perfeitamente o que significa, em termos de gestão, por em
pratica
metodologias,
processos, sistemas gerenciais e controles, além da excelência na liderança e
na comunicação que permitam este equilíbrio.
Satisfazer o cliente,
o acionista e o pessoal que constitui a equipe é de um modo geral aceito no
meio empresarial. Mas de forma
equilibrada? Alguns acham que sim,
outros que não. Eu me enquadro nos
primeiros. Hoje o problema maior reside
na atenção que deve ou não ser dada ao quarto elemento do nosso sistema de
engrenagens, referente ao meio social e ambiental, no qual a empresa está inserida.
Será que é realmente
importante? É vital do ponto de vista econômico financeiro? As respostas a estas perguntas são no mínimo
complexas e polêmicas. Nem por isso
devemos evitar discuti-las. Este é
unicamente o meu objetivo neste breve artigo. Provocar a discussão dando a
minha percepção a respeito.
Em primeiro lugar, é
imprescindível entender o que cada um desses públicos almeja.
O Cliente, por
exemplo, estaria em tese satisfeito se o produto ou serviço que ele adquire da
empresa fornecedora atende perfeitamente às suas especificações, ou seja, é
capaz de cumprir exatamente o que foi prometido, dentro, é claro, de um
custo/benefício competitivo. É
importante também para ele que a empresa fornecedora, como parceira do seu
negócio, tenha uma boa reputação no mercado, pois do contrário poderia
contaminar a sua própria.
O Pessoal, que
constitui a equipe da empresa, estaria em princípio satisfeito e motivado para
trabalhar, se estiver engajado através de uma liderança eficaz, capaz de
garantir a participação de todos na missão e atingimento dos objetivos maiores
da empresa. Além, é claro, de oferecer
salários e benefícios alinhados com o mercado e oportunidades de carreira
oferecidas dentro de critérios justos e conhecidos para todos. É fundamental
também para a satisfação do pessoal que ele possa sentir orgulho de trabalhar
para uma empresa que possua boa reputação na sociedade em que se insere.
O Acionista estará satisfeito
se a empresa for capaz de retribuir o seu investimento com o retorno
compromissado. É claro que este retorno
é esperado que seja produzido dentro de padrões éticos e morais dignos de uma
empresa de boa reputação.
O Meio (ambiente e
social) no qual a empresa está inserida. Voltamos a perguntar: será que este é
um fator tão importante que deva merecer uma atenção especial por parte da
gestão da empresa? Apenas para citar
dois exemplos que até hoje ainda deixam marcas nas empresas envolvidas: o caso do desastre com o petroleiro Valdez
que produziu um problema ambiental de terríveis proporções e a utilização de
mão de obra infantil por parte de fornecedores de uma grande rede de moda
internacional. Bem, mas estes são
acidentes que podem ocorrer independentemente da forma com que a empresa é
conduzida ou da importância que as empresas dão a esta questão. Será? Ou será que, na medida em que as empresas
compreenderem as consequências econômicas diretas e indiretas (como, por
exemplo, a perda de sua reputação) resultantes da falta da atenção adequada por
parte da gestão da empresa, esta certamente investirá mais e melhor nesta área.
Apenas para expandir
um pouco mais a respeito da questão da perda da reputação. Como mencionado anteriormente, vimos que este
é um quesito que influencia diretamente a visão que os outros públicos, tais
como o cliente, o seu pessoal e o acionista, têm da empresa. A empresa privada representa uma porção
significativa do PIB do país e portanto o seu comportamento em relação ao meio
em que se insere tem reflexos diretos, não somente para ela mas para a economia
do país como um todo.
É motivo de satisfação
observar que cada vez mais as empresas passam a dar uma atenção maior a estes
fatores fundamentais à sobrevivência delas no futuro. Na questão social já vemos empresas
preocupadas em limitar as diferenças entre os seus maiores e menores salários,
em gerenciar os seus fornecedores para que assumam práticas de políticas de
pessoal adequadas e em contribuir para que a educação nas escolas seja mais
efetiva e de melhor qualidade. Imaginem
o custo que muitas empresas têm que incorrer somente para capacitar uma pessoa
em questões que seriam na prática obrigação das escolas prover. Portanto, na realidade não se trata de uma simples contribuição, mas sim de um
investimento que, embora não sendo de sua responsabilidade direta, reverte em
seu beneficio.
Na questão ambiental,
vemos também progressos na preocupação de muitas empresas com a poluição que
geram, com os desperdícios, com a reciclagem e com a questão da gestão dos seus
fornecedores para que também atuem de forma sustentável naquilo que produzem.
Na realidade uma boa
gestão nesta área traz benefícios econômicos para a empresa e não o
contrário. Me lembro bem, há algumas
décadas atrás, quando a qualidade passou a ser um fator de competitividade,
vantagem comparativa entre as empresas.
Muitos achavam que as empresas não iriam suportar os custos envolvidos
com a implementação dos programas de qualidade.
Hoje sabemos muito bem que quem não tem qualidade no que produz está
fora do mercado mais cedo ou mais tarde.
Infelizmente a
velocidade com que este processo está se desenvolvendo é muito menor da que
seria ideal. Mas há algumas décadas
atrás nem isto havia.
Tenho a certeza de que
quanto mais rápido estes fatores referentes ao meio (social e ambiente) se
tornarem fatores de diferenciação competitiva entre as empresas, mais
rapidamente teremos uma luz mais visível no final do túnel.

