quarta-feira, 10 de setembro de 2014

EMPRESA X SATISFAÇÃO

Uma empresa, independente do seu tamanho, está, de uma forma ou de outra, envolvida em satisfazer aos públicos mencionados na engrenagem acima.

Mecanicamente o sistema de engrenagens funciona de tal forma que as engrenagens periféricas giram na mesma velocidade, enquanto a engrenagem do centro gira numa velocidade maior para compensar o seu menor tamanho.  Transportando este modelo para a empresa, equivaleria a ela dar uma atenção equilibrada aos quatro públicos objeto das engrenagens periféricas e consequentemente dar atenção redobrada à sua gestão para que isto seja possível.  Aqueles que conhecem as engrenagens de uma empresa entendem perfeitamente o que significa, em termos de gestão, por em pratica
metodologias, processos, sistemas gerenciais e controles, além da excelência na liderança e na comunicação que permitam este equilíbrio.

Satisfazer o cliente, o acionista e o pessoal que constitui a equipe é de um modo geral aceito no meio empresarial.  Mas de forma equilibrada?  Alguns acham que sim, outros que não.  Eu me enquadro nos primeiros.  Hoje o problema maior reside na atenção que deve ou não ser dada ao quarto elemento do nosso sistema de engrenagens, referente ao meio social e ambiental, no qual a empresa está inserida.

Será que é realmente importante? É vital do ponto de vista econômico financeiro?  As respostas a estas perguntas são no mínimo complexas e polêmicas.  Nem por isso devemos evitar discuti-las.  Este é unicamente o meu objetivo neste breve artigo. Provocar a discussão dando a minha percepção a respeito.

Em primeiro lugar, é imprescindível entender o que cada um desses públicos almeja.

O Cliente, por exemplo, estaria em tese satisfeito se o produto ou serviço que ele adquire da empresa fornecedora atende perfeitamente às suas especificações, ou seja, é capaz de cumprir exatamente o que foi prometido, dentro, é claro, de um custo/benefício competitivo.  É importante também para ele que a empresa fornecedora, como parceira do seu negócio, tenha uma boa reputação no mercado, pois do contrário poderia contaminar a sua própria.

O Pessoal, que constitui a equipe da empresa, estaria em princípio satisfeito e motivado para trabalhar, se estiver engajado através de uma liderança eficaz, capaz de garantir a participação de todos na missão e atingimento dos objetivos maiores da empresa.  Além, é claro, de oferecer salários e benefícios alinhados com o mercado e oportunidades de carreira oferecidas dentro de critérios justos e conhecidos para todos. É fundamental também para a satisfação do pessoal que ele possa sentir orgulho de trabalhar para uma empresa que possua boa reputação na sociedade em que se insere.

O Acionista estará satisfeito se a empresa for capaz de retribuir o seu investimento com o retorno compromissado.  É claro que este retorno é esperado que seja produzido dentro de padrões éticos e morais dignos de uma empresa de boa reputação.

O Meio (ambiente e social) no qual a empresa está inserida. Voltamos a perguntar: será que este é um fator tão importante que deva merecer uma atenção especial por parte da gestão da empresa?  Apenas para citar dois exemplos que até hoje ainda deixam marcas nas empresas envolvidas:  o caso do desastre com o petroleiro Valdez que produziu um problema ambiental de terríveis proporções e a utilização de mão de obra infantil por parte de fornecedores de uma grande rede de moda internacional.  Bem, mas estes são acidentes que podem ocorrer independentemente da forma com que a empresa é conduzida ou da importância que as empresas dão a esta questão. Será?  Ou será que, na medida em que as empresas compreenderem as consequências econômicas diretas e indiretas (como, por exemplo, a perda de sua reputação) resultantes da falta da atenção adequada por parte da gestão da empresa, esta certamente investirá mais e melhor nesta área.

Apenas para expandir um pouco mais a respeito da questão da perda da reputação.  Como mencionado anteriormente, vimos que este é um quesito que influencia diretamente a visão que os outros públicos, tais como o cliente, o seu pessoal e o acionista, têm da empresa.  A empresa privada representa uma porção significativa do PIB do país e portanto o seu comportamento em relação ao meio em que se insere tem reflexos diretos, não somente para ela mas para a economia do país como um todo. 

É motivo de satisfação observar que cada vez mais as empresas passam a dar uma atenção maior a estes fatores fundamentais à sobrevivência delas no futuro.  Na questão social já vemos empresas preocupadas em limitar as diferenças entre os seus maiores e menores salários, em gerenciar os seus fornecedores para que assumam práticas de políticas de pessoal adequadas e em contribuir para que a educação nas escolas seja mais efetiva e de melhor qualidade.  Imaginem o custo que muitas empresas têm que incorrer somente para capacitar uma pessoa em questões que seriam na prática obrigação das escolas prover.  Portanto, na realidade não se trata de  uma simples contribuição, mas sim de um investimento que, embora não sendo de sua responsabilidade direta, reverte em seu beneficio.

Na questão ambiental, vemos também progressos na preocupação de muitas empresas com a poluição que geram, com os desperdícios, com a reciclagem e com a questão da gestão dos seus fornecedores para que também atuem de forma sustentável naquilo que produzem.

Na realidade uma boa gestão nesta área traz benefícios econômicos para a empresa e não o contrário.  Me lembro bem, há algumas décadas atrás, quando a qualidade passou a ser um fator de competitividade, vantagem comparativa entre as empresas.  Muitos achavam que as empresas não iriam suportar os custos envolvidos com a implementação dos programas de qualidade.  Hoje sabemos muito bem que quem não tem qualidade no que produz está fora do mercado mais cedo ou mais tarde.

Infelizmente a velocidade com que este processo está se desenvolvendo é muito menor da que seria ideal.  Mas há algumas décadas atrás nem isto havia.


Tenho a certeza de que quanto mais rápido estes fatores referentes ao meio (social e ambiente) se tornarem fatores de diferenciação competitiva entre as empresas, mais rapidamente teremos uma luz mais visível no final do túnel.